Mostrando postagens com marcador Parques. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Parques. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Parques

segunda-feira, 19 de abril de 2010
Numa cidade onde faltam espaços públicos de lazer, qualquer pedaço de chão que não haja prédios pode ser chamado de parque. Tirei essa foto no Parque Villa Lobos, situado na zona oeste de São Paulo. Há vinte anos, parte da área onde está o atual parque era um lixão da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (CEAGESP). Outra parte recebia sedimentos dragados do vizinho Rio Pinheiros. Ao redor, um bairro na mira da especulação imobiliária. Hoje, o atual parque, com 732 mil metros quadrados, tem como vizinhos um shopping center, prédios luxuosos e canteiros de obras. A sombra das árvores é uma raridade disputada por 30 mil pessoas nos finais de semana e feriados. Igualmente raro é o canto dos pássaros, inspiração do memorável compositor que dá nome ao parque. O trânsito de bicicletas compara-se aos engarrafamentos típicos da cidade paulistana. Caminhar no Villa Lobos é tão prazeroso quanto usar uma esteira ergométrica.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Barulho urbano

segunda-feira, 5 de abril de 2010



Pedi aos falantes alunos da oitava série que ficassem em silêncio por apenas um minuto. Do alto da Pedra Grande, no Parque da Cantareira, a paisagem da cidade de São Paulo perdia-se no horizonte. Estávamos ali, eu e os alunos, calados, sentados sob uma rocha granítica e rodeados pela mata atlântica. Uns olhavam desesperadamente o relógio, outros estavam com os olhos fechados quando, enfim, o minuto acabou. Então, o que vocês ouviram, perguntei a eles. A resposta da maioria foi enfática: nada!

O cantar dos pássaros, o sopro do vento chacoalhando as árvores não eram audíveis para a maioria dos alunos acostumada a perceber cotidianamente o barulho da cidade. Contei-lhes que era possível, inclusive, ouvir o ecoar distante da cidade, algo parecido com o som de uma geladeira, fruto da mistura dos barulhos urbanos. Curiosos, dessa vez foram os alunos que tomaram a iniciativa da mudez. Ficaram ali, olhando fixamente a cidade, ouvindo sons roubados tão cedo e devolvidos por alguns instantes em outro lugar. (Foto: rtomazela)